Para Gustavo

Eu lembro que eu estava com metade da cara pintada de preto e a outra metade de branco. Era uma apresentação do texto Preto no Branco no Teatro Lauro Gomes e eu esperava nervoso pela minha hora no palco. Não sei como começamos a conversar lá em cima, onde ficam as cordas e pesos, enquanto esperávamos com os outros. Não sei qual era sua turma. Não me lembro da sua voz ou o que conversamos, só da sensação. Sei que a sua voz era suave e boa. Ela me acalmou naquele dia. Foi daquelas conversas que eu nunca esqueci. Eu só te vi essa vez e depois nunca mais te vi, mas juro que sinto saudade de você.

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