A Vida Invisível

Depois que eu vejo um filme assim eu preciso vagar um pouco pra voltar ao que era. Gosto de ver a Paulista entrando na madrugada, se lavando e arrumando pro domingo, é quase íntimo.
A Vida Invisível é o melhor filme deste ano até agora e só é comparável ao filme Entre Irmãs de 2017. Não há nada feito levianamente ou de maneira errada em algum deles. Ambos são sobre irmãs separadas por circunstâncias inerentes a suas épocas com o conluio de pessoas que, se não são mas, são covardes, no mínimo.
Lembro de meu tio que se envolveu com drogas muito mais do que, minha gente e que foi praticamente deserdado por todos na família com exceção de minha mãe que até o deixou se hospedar em sua casa quando eu era pequeno e só hoje eu sei como ela temia por mim e como ela é boa com todo o coração.
 
Há um trecho de uma música de Kate Nash chamada Navy Song: 

"It's your life and it's noone's else and, sweetheart, don't let someone put you in a box"

Sempre achei assustador como as pessoas se colocam em casamentos ou qualquer outro tipo de relação que, se não é abusiva, é conformista. Apenas para não ficar só quando a pessoa não foi obrigada pelas circunstâncias da época. Mas sempre há o conformismo, o medo, insegurança. O que você preferiria: ficar só e enfrentar um mundo hostil por você ser você mesmx ou aceitar o que é imposto e ser aceitx como um deles?
Uma coisa é ser mãe solteira nos anos noventa como minha mãe foi (e ainda por cima grávida de um omi casado com outra mulher e já com filhos nesse casamento), outra é nos anos cinquenta com um omi na Grécia.
Vida Invisível mostra o que não devemos fazer. Entendemos porque pessoas fazem o que fazem, mas aprendemos o que não fazer. Não cometam os mesmos erros. Sejam suas próprias pessoas e seus próprios lares, não deixem que te prendam em uma caixa. Uma hora a caixa fica tão grande que você não consegue mais olhar pra fora.

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