Pequena Miss Sunshine

Acabei de notar que minha mesa tá meio suja agora que voltei das férias. Bom, acontece, vai ver acharam que eu não voltava mais.
Mas eu VOLTEI esta semana e já passei pelos estágios:
1) DEUS, NÃO, POR FAVOR, NÃO, NÃO QUERO, ME FAÇA RYCA
2) Bem, tem a hora do almoço, né
3) Se não tivesse café aqui eu correria pro banheiro e cortaria a garganta com o removedor de clipes
4) Nossa, tinha alguma coisa faltando na minha vida que voltou agora, o que é? aahhhhhh, é a rotina
5) Conformado, vamo que vamo, acordar, tomar café, trabalhar e, um dia, morrer
Já tô aqui colocando Tim Maia bem alto no meu fone enquanto meus colegas fazem piada estúpida de bolsominion ao meu redor (gosto de imaginá-los como um bando de macaquinhos batendo pratos  enquanto dizem "ur durhh batata ugh bugh a culpa é do Lula"). Vontade de apontar pra minha mochila com dizeres de Ele Não ou só pôr um neon nela mesmo. Tudo okay na medida de evitar homicídios (é difícil, mano).
Mas tô aqui pra contar dum rolezin no fim das férias. Foi na sexta, logo após o feriado de Corpus Christy no qual o corpo de cristo tava numa boa, mas o meu se recuperava de uma das maiores ressacas da minha vida (vai ver eu só tô ficando velho) e que envolveu tequila (POF!), cerveja (SOC!), cachaça (POW!), dorgas variadas (BAM!) e vinho (NOCAAAAAAUTEEEE!!! DING! DING! DING!). 
E o que foi que fiz nessa noite depois disso tudo? O óbvio. Decidi ir pra uma aventura e sair pelo mundo. Por que, meu Deus, por que. Pobre anjinho da guarda, deve tá internado agora. Voltei pra casa de uber no meio da madrugada e desmaiei no sofá (segundo fontes, pois o bonito aqui não lembra coisa alguma. Mentira, lembro flashes de vinho e risada).
Passei o dia seguinte inteiro, o do feriado, em casa todo moribundo tomando água, comendo bolacha água e sal, e fazendo o possível pra não morrer. Sem contar que a erva me ataca a bronquite e a farinha me ataca a rinite. Digam não as dorgas, crianças, não é bom pra ti.
No dia seguinte, uma sexta, lá vai eu sair todo serelepe pra mais um rolê. Chego na estação pouco antes das onze da manhã sendo que íamos combinar às dez e meia, mas adiamos pras onze. Espero quinze minutos sentado lendo e fazendo fotossíntese na praça em cima da estação. Antes de eu criar raízes chega a Aline, fofa. Falta chegar Bruna com o filho, Pedro Henrique, e com o Michel. Imagina alguém escroto (mas que tu não consegue terminar a amizade por algum tipo de maldição), que fala alto (sempre as mesmas coisas, tu consegue prever, mó engraçado) e sempre atrasa (pra caralho normalmente). É o Michel.
Mas ele chega porque tudo chega um dia, de varizes a artrite. E vamos comer pastel. EBA. Eu amo pastel. É o ponto alto de muitos rolês da minha infância. Minha mãe me dava pastel pra eu não ficar de cara feia e não destruir nada enquanto fazíamos algo chato. Até hoje pastel é maaaara.
Passamos por vários lugares depois incluindo o mirante do Copan para o qual tu tem que agonizar numa fila por 84 anos, assinar uns quinze cadernos de visitas, levar bronca dos funcionários do prédio porque tu não pode sentar no chão e então ver aquela vista espetacular dessa cidade linda que tanto amo, ah meu deus. A gente só não desiste no meio daquela fila que mais parece o purgatório pra não manchar nossa honra de burro.
Comemos num lugar caro porque até eu que cresci em boteco curto uma extravagância aqui e ali. Ah, gente, me deixa ser feliz e bem mais pobre quando chega a fatura.
E então passamos no Fabinho, o bar de nossos S2, e tínhamos uma hora pra ficar lá, segundo Pedro Henrique, dez anos, hiperativo que gosta de doce e é engraçado a beça, pois prometemos ir ao Karaokê.
Fomos ao karaokê, com doze minutos de atraso segundo Pedro Henrique, e, bem, deixa eu descrever a pinta do estabelecimento. Teoricamente é uma pizzaria que também tem karaokê. Uma pizzaria escura onde há sofás bem confortáveis (graças a escuridão você nunca vai saber se o lugar esta limpo e, sinceramente, é melhor nem pensar muito sobre isso) e luminárias de neon de várias cores. Só faltam postes de pole dance com moças se esfregando neles.
Beleza. Chegamos. Sentamos. Vem o garçon com cara de quem trabalha ali há cinquenta anos e que deve limpar os copos com a língua só de ódio de trabalhar naquele lugar. Perguntamos:
"Boa noite, moço. Como faz pra cantar?" 
"Precisa pagar a consumação e pegar ficha."
Pura simpatia. Ele deve ter cãibra só de pensar em sorrir.
Pedimos uma Original e ele a traz com cinco copos. Um pra cada adulto e um pra criança de dez anos, lógico. Releia a última frase. Agora leia de novo e julgue o estabelecimento. Nunca me senti tão parte de uma família quanto naquele karaokê que serve álcool a menores de doze anos de idade.
Senti que estava na mesa da família de Pequena Miss Sunshine. Michel era o avô tarado, Pedro a Miss Sunshine, Bruna a mãe e a Aline pode ser o pai. Eu era o tio gay suicida. Ficou faltando o adolescente que não fala.
E não, Pedro Henrique não bebeu, mas realizou o sonho de cantar Don't Stop Me Now com a mãe e Yellow Submarine (comigo).
E então, como sempre, voltamos ao bar do Fabinho e fomos felizes pra sempre.

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