Metafísica

And what he wanted was a house
To fill that house with things he loved
To walk a garden that he owned
And lie and sleep upon its grass

And what he wanted was a wife
To be loved returned as he loved her
To fold around their easy talk
And to wake and stay there in her arms

And what he wanted was a child
To fill that house with her own voice
To carry her up into her room
And there she walks within her dreams

Dark greys churn that sky
Rain down on him that little man

Pull tight your coat against the cold
Step by step that dream will come
Step by step that dream will come
Pull tight your coat against the cold


Tudo é familiar, mas não é a mesma coisa. Nada mudou aqui além de mim. Não é nada ao meu redor, sou eu que estou um pouco mais triste. É me apaixonar de novo e de novo. É querer algo que ainda não existe neste mundo. É sair com esse cara lindo e depois de dormir com ele ficar tipo "quero outro" em vez de "vou casar" (amadurecimento ou piranhice pura? Tell me). É como ler o meu livro favorito e notar e entender coisas que nunca entendi completamente. Eu olho no espelho e recordo quem eu costumava ser.  É estranho como a história segue. Suas reviravoltas. Eu queria ser cientista e ter um laboratório que nem o Dexter do Laboratório de Dexter e hoje passo o dia sentado atrás de um PC esperando o almoço e a hora de ir embora. Terminamos sendo alguém muito diferente de quem fomos um dia. Sempre me achei idealista e agora acredito em tão pouca coisa. Cansei um bocado depois da eleição. Eu era muito mais animado e deixava todos incomodados ou de bom humor. Agora estou tão cansado. Não tenho vontade de mudar as coisas, de melhora-las, como eu queria antigamente. Eu não sei mais voar como quando fazia balé, eu não sei mais nada. Ontem derrubei o último copo de duralex em casa e, claro, ele explodiu em um milhão de pedaços microscópicos. Fiquei irritado com os gatos a toa, pobrezinhos. Quero ir pra casa abraçar meus gatos e ficar deitado bem quietinho com algum dos meus livros. Quero ter tempo para escrever histórias e receitas. Eu fico em dúvida sobre o que é lembrança de verdade em minha cabeça e o que é algo inventado a partir das fotos que tanto olho. Eu lembro de como me sentia quando era pequeno. Que achava que as sensações tinham cores. Lembro como é solitário ser uma criança. Lembro do vento no jardim batendo em meu rosto e que eu acreditava que podia chama-lo quando assobiava. Lembro de escovar os dentes e de lavar as mãos nas pias da escola quando tinha cinco ou seis anos. Lembro de ter muito medo e de chorar. Tenho saudade de quando minha mãe brincava comigo. Tenho saudade de ir à sorveterias no interior e de comprar frango assado com meu tio e minha mãe um domingo qualquer. Sinto saudade de brincar na quadra e de deitar no sofá assistindo TV. Sinto saudade de brincar com meus primos. Sinto saudade de minha mãe. Tenho saudade de tudo.

“Had we but world enough, and time”

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