Recarrega, recarrega
Estou em processo de recarregamento de memórias da noite anterior e até agora tô gostando do que vi. As memórias que não puderem ser recuperadas por estarem muito danificadas ou que não forem localizadas no disco rígido serão substituídas por memórias de outras noites. Isso explica lacunas e remendos estranhos na minha cabeça. Não é nada demais, você só tem que se acostumar comigo. E com meu consumo intenso de álcool e outras substâncias, sou um garoto químico. Se me ferverem e destilarem me transformo em uma pílula muito potente capaz de levar ao Nirvana e a uma overdose de livros, lugares e pessoas. Acredito que ao ser cremado vou deixar como herança livros, plantas e um enorme buraco na parede do crematório. Sou inflamável, psicoativo e volátil, vario entre o azedo e o apaixonado, histeria e ansiedade, sem muita neutralidade, pois sempre detestei ficar em cima do muro. Desçam todos do muro, mostrem vontade nessas caras.
Eu consegui o que eu queria e não sei se quero mais. Não sei bem o que sinto agora. Como manter o controle? Oh, I can't control myself.
Chamei todos pra almoçar lá em casa amanhã (posso até usar aquele discurso!) e estou empolgado. Deus me ajude a lembrar de não ficar triloucasso hoje. Só alegrinho. Estou numa fase de paixão intensa pela minha casa. Arrumo e rearrumo tudo em vários lugares só pra admirar o resultado com as mãos na cintura. Quanto mais eu me aproximo da minha ideia de completude mais completo eu mesmo estou e eu sei que jamais estarei completo. E eu amo isso. Mude, muda, árvore.
Releio Só Garotos da Patti Smith (afinal eu vou ao fucking show e não poderia estar mais contente com isso) e penso e analiso mais. Acho que li pela primeira vez quando morava em São Caetano. Faz mais de um ano, talvez dois. Lembro daquele garoto em cujo coração eu pisei. Hoje o Karma me dá na cara por esse e por outros. Nesse esquema de elas por elas eu tô mesmo é lascado porque sou um lixo de ser humano às vezes. Saio com os caras, aporrinho eles e jogo fora. Porra, Bastian.
Amo o tom calmo de Patti Smith. Sinto que flutuo em um lago ao ler o livro escrito por ela, não importa o quão tempestuosa esteja a vida dela em uma página ou outra. Ela vê sua vida como alguém que passou por tudo há muito tempo e nada mais a apavora. Quero um dia ver minha vida dessa forma, com paz. Tento vê-la assim agora, mas é claro que serei melhor nisso em alguns anos. Maior e mais saudoso. Já é tanta saudade, é só saudade.
Reli a Pedra Filosofal. Cada livro relido são mudanças sentidas. Toda a diferença em como eu me senti antes e como me sinto agora. E ainda amo a história do menino que sobreviveu.
E eu também sou um sobrevivente, pelo menos é o que dizem por aí.





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