Esses dias
Resolvi escrever aqui pela manhã enquanto eu saltitava no meu caminho pro trabalho, mas esqueci tudo que queria escrever. Tá, e eu também não saltitava. Na realidade estou resfriado e solto quinze espirros a cada quinze segundos (sério, eu cronometrei) e ontem fui dormir depois da uma da manhã porque cheguei bêbado em casa do bar. Prudência, a gente vê por aqui. Lembre-se que sou um bêbado e não um alcoólatra (se eu disser o contrário é calúnia), bêbados vão a bares, alcoólatras a reuniões do AA. Lembrem disso, crianças. Mas estou bem. Só queria estar em casa com uma caneca fumegante de choconhaque, uma coberta e um suprimento infinito de lenços.
Vou tentar relatar meus últimos dias e traumas como maneira de terapia. Terapia que, aliás, larguei. Era em grupo com quatro ou cinco tiozões (perdi a conta, pois são todos parecidos) casados e "chefes" de famílias tradicionais reclamando de dificuldades do casamento e me fazendo sentar lá e olhar de um lado pro outro tal qual uma Heineken numa barzinho hétero vendo aquele bando se aproximando pra algum open bar em seus últimos minutos: "ai meu cu"
E os omi lá na ladainha:
"mas poxa vida sou casado a tanto tempo vou resolver essa merda cagada e ir levando UHUL viva deus e o casamento".
Resumindo, os problemas de segurança e relacionamento deles eu jamais teria e não vi muito sentido em uma bicha como eu, toda solteira, maneira, drogada, equilibrada (risos) e independente continuar ali. O que fiz? Não fui ao bar desta vez, há!, fui ao cinema. Quase atrasei pra sessão do filme da Laerte porque fui comprar cerveja e salgadinho com o Vinícius, que achou que não ia dar tempo, mas deu porque meu anjo da guarda é foderoso.
E os omi lá na ladainha:
"mas poxa vida sou casado a tanto tempo vou resolver essa merda cagada e ir levando UHUL viva deus e o casamento".
Resumindo, os problemas de segurança e relacionamento deles eu jamais teria e não vi muito sentido em uma bicha como eu, toda solteira, maneira, drogada, equilibrada (risos) e independente continuar ali. O que fiz? Não fui ao bar desta vez, há!, fui ao cinema. Quase atrasei pra sessão do filme da Laerte porque fui comprar cerveja e salgadinho com o Vinícius, que achou que não ia dar tempo, mas deu porque meu anjo da guarda é foderoso.
(Vinícius, você não vai ler isto, mas OBRIGADO por aturar meus rolês malucos e meus chiliques. Eu te amo)
O filme da Laerte é supimpa e UMA BRISA ALUCINÓGENA DA PORRA. Se eu dropar um faço um roteiro igual só que não.
Mas a aventura recente mais relevante é a do Popload. Que emenda na aventura de doar sangue que emenda na madrugada, mas não bem nessa ordem.
Vamos do início.
Tudo começou quando anunciaram uma entrevista com a Patti Smith no Sesc Pompeia na quinta-feira. Ai, meu coração. Eu sou fã dela e eu ia no show dela no festival do Popload, ir nessa entrevista seria super massa. Mas daí vejo o horário da dita cuja: 14 horas. Porra. Eu TRABALHO, Patti Smith. E então uma ideiazinha se instaurou na minha cabecinha:
"E se eu fosse doar sangue amanhã e não fosse pro trabalho?"
Esclarecimentos extras pra quem não manja de doação de sangue: gays não podem doar. O por quê? Por que quem bolou essas regras foi um bando de homofóbicos fascistas malditos com ideias tão retrógradas e tacanhas quanto o apartheid ou cura gay. Eles assumem que todo gay é promíscuo e tem AIDS. É ASSIM MESMO, NÃO TÔ ZOANDO. No dia seguinte eu me muno de toda minha impulsividade e vou pro banco de sangue mentir como um filha da puta QUE EU NÃO SOU PORQUE HÉTEROS TAMBÉM TRANSAM E TAMBÉM ESTÃO SUJEITOS A DSTS, SABIAM??
Enfim, respondo tudo com muita educação e cem por cento sóbrio.
"Já fez uso de drogas ilícitas?"
"E se eu fosse doar sangue amanhã e não fosse pro trabalho?"
Esclarecimentos extras pra quem não manja de doação de sangue: gays não podem doar. O por quê? Por que quem bolou essas regras foi um bando de homofóbicos fascistas malditos com ideias tão retrógradas e tacanhas quanto o apartheid ou cura gay. Eles assumem que todo gay é promíscuo e tem AIDS. É ASSIM MESMO, NÃO TÔ ZOANDO. No dia seguinte eu me muno de toda minha impulsividade e vou pro banco de sangue mentir como um filha da puta QUE EU NÃO SOU PORQUE HÉTEROS TAMBÉM TRANSAM E TAMBÉM ESTÃO SUJEITOS A DSTS, SABIAM??
Enfim, respondo tudo com muita educação e cem por cento sóbrio.
"Já fez uso de drogas ilícitas?"
"O tempo todo Jamais!", e com cara de parvo indignado com tamanho atrevimento pela enfermeira fazer tal pergunta pra moá.
"Já teve relações homossexuais?"
"Amo pau Homo o que, minha senhora?"
Bom, doei meu sangue e agora ele está deixando alguém chapado porque descobri outro dia em pesquisas com minhas migas que a maconha leva vááááááários dias para sair da corrente sanguínea, ou seja, pelos meus cálculos meu sangue dá barato desde 2008, mais ou menos.
Sangue doado, eu era então um elfo livre. Eu nunca falto no serviço. Atrasar já é raro. Imagina como é TER O MUNDO INTEIRO DE PERNAS ABERTAS SÓ PRA MIM ÀS NOVE DA MANHÃ?! Fiquei eufórico e quase tive um ataque. Sentei num Starbucks da Paulista e planejei meus próximos passos. Peguei um busão pra Pompeia, almocei com uma miga e fui pra fila da Patti Smith. Novidade (pelo menos pro idiota aqui): seiscentas pessoas na fila DESDE ÀS OITO DA MANHÃ. Caralhos galopantes. Perdi lugar no teatro pra ver a entrevista por 36 lugares. O que fiz? Fui beber, elementar, meu caro Watson. Às oito ou nove da noite eu estava no bar todo serelepe mas esperto porque o Popload seria no dia seguinte.
ATENÇÃO: A PARTIR DE AGORA OS FATOS AQUI DOCUMENTADOS SÃO BASEADOS EM TESTEMUNHOS E NAS FILMAGENS OBTIDAS PELAS CÂMERAS DO BAR QUE AJUDARAM A RECONSTRUIR MINHA MEMÓRIA PIXEL POR PIXEL.
Em algum ponto da noite eu lembrei que tinha um festival pelo qual paguei trezentos e cinquenta reais e nem ganhei um boquete, peguei no ombro de Vinícius e disse: "Amanhã tenho um festival, eu não vou usar dorgas hoje".
Então eu sumi por uns quinze minutos. No meu retorno eu peguei no ombro de Vinícius de novo e constatei tragicamente: "Eu fracassei".
Cheguei em casa de Uber às três da manhã após ter passado sabe deus em quantos bares e ter terminado na Gruta, um outro bar que, pelo nome, vocês podem imaginar.
Tô lá em casa todo bonito nanando abraçado com meus gatos com barulhinho de chuva no telhado quando escuto: "BASTIAN!! ABRE ESSA PORTA!" Ai meu bom deus, a morte ou o dono de algum bar cuja conta não paguei venho me buscar. Ambas incorretas, não são ós credores de meu cu minha vida, é o Pedro, meu marido (longa história encurtada: a gente tá sempre junto e dizem que somos casados). E eu de cueca abrindo a porta: "que cê tá fazendo aqui, Pedro??" Ao que ele responde: "Hoje é o Popload, Bastian!! Esqueceu?"
Carregando memória. Deu ruim. Tela azul da morte. Reiniciando sistema... 20%, 30%.... 69% (hehe)...
"AH MEU DEUS, PEDRO, É HOJE. ENTRA, VOU FAZER CAFÉ."
Ando em círculos pela cozinha uns cinco minutos sem lembrar quem eu sou e resolvo deitar mais cinco minutos. Quinze minutos depois eu estava a postos. Tomamos café, almoçamos e fiquei bonitão pra gente sair. Por dentro Bukowski, por fora Rimbaud.
Senti a ressaca chegando mas fui mais forte, chutei ela pro lado gritando "NOT TODAY, SATAN!" e fui que fui pro festival. Levamos uma meia hora padrão pra achar a porta certa pro festival e lá dentro foi o esperado: um grande mercado indie-hipster-xovem esquisito com porra colorida nos ouvidos. Sussa, nada de novo no front.
Preço da cerveja com copo bonito (que eu quero o copo pra guardar de lembrança): setenta mil reais.
Preço da Gin Tônica com a taça da hora (que eu quero a taça pra guardar de lembrança): dois rins e um cu.
Preço do Whisky: nem tua alma paga aquilo.
Ou seja, fiquei pobre e louco. Tiramos foto de casal (vou enquadrar um dia, juro), cobiçamos os baseados aqui e ali (estávamos sem), e assistimos uns shows. Chegamos no meio do show da Cansei de Ser Sexy (BLÉH, credo) e ficamos até a Patti Smith. Foi tudo lindo e pontual, surtei com a Patti e valeu cada centavo (mas poderia ter sido mais barato). Ela encerrou com Gloria como sempre, cantou Because The Night e falou várias coisas lindas pra gente que agora não lembro o que foi. Minha história com Patti Smith vem de longe, já disse antes.
Encerramos andando pelo Minhocão até o Fabinho onde tomei mais gin e mostrei nossos bagulhos a todos, afinal eu sou uma estrela.
Senti a ressaca chegando mas fui mais forte, chutei ela pro lado gritando "NOT TODAY, SATAN!" e fui que fui pro festival. Levamos uma meia hora padrão pra achar a porta certa pro festival e lá dentro foi o esperado: um grande mercado indie-hipster-xovem esquisito com porra colorida nos ouvidos. Sussa, nada de novo no front.
Preço da cerveja com copo bonito (que eu quero o copo pra guardar de lembrança): setenta mil reais.
Preço da Gin Tônica com a taça da hora (que eu quero a taça pra guardar de lembrança): dois rins e um cu.
Preço do Whisky: nem tua alma paga aquilo.
Ou seja, fiquei pobre e louco. Tiramos foto de casal (vou enquadrar um dia, juro), cobiçamos os baseados aqui e ali (estávamos sem), e assistimos uns shows. Chegamos no meio do show da Cansei de Ser Sexy (BLÉH, credo) e ficamos até a Patti Smith. Foi tudo lindo e pontual, surtei com a Patti e valeu cada centavo (mas poderia ter sido mais barato). Ela encerrou com Gloria como sempre, cantou Because The Night e falou várias coisas lindas pra gente que agora não lembro o que foi. Minha história com Patti Smith vem de longe, já disse antes.
Encerramos andando pelo Minhocão até o Fabinho onde tomei mais gin e mostrei nossos bagulhos a todos, afinal eu sou uma estrela.
Agora mais umas rebarbas de meus dias antes de encerrar o expediente aqui.
Tô sem paciência com um nego no serviço. Pensei quando treinei ele: "ah, tadinho, não tá acostumado com essas tecnologias tipo teclado e computador, devia usar abacos e laranjas no tempo dele, ou não, não sei, ele não é tão velho assim, vai aprender, claro que vai."
Disso pra arrancar os cabelos e querer berrar: "POR QUE A EVOLUÇÃO NÃO ELIMINA ESSE MIZERAVI" leva pouco tempo. Ele éburro feito uma porta limitado mesmo, gente. Sejam piedosos com gente burra. Aceite, suspire, revire os olhos, imagine todo tipo de morte cruel e siga em frente até o bar. Vai dar tudo certo, vai por mim.
Disso pra arrancar os cabelos e querer berrar: "POR QUE A EVOLUÇÃO NÃO ELIMINA ESSE MIZERAVI" leva pouco tempo. Ele é
Fiquei chateado outro dia porque eu tava mais bêbado e emotivo que uma gambá menstruada o carinha que tenho crush há anos e fico de vez em quando é tão puta quanto eu e tava ficando com outro cara na minha frente. Um cara que eu pego de vez em quando também. Tão vendo um padrão de putice aí ou sou só eu? Eles não sabem que só eu posso fazer isso e que os caras que eu fico ou fiquei, nem que seja uma vezinha na vida sem querer por pura carência e sacanagem, devem assinar um termo de celibato e fazer parte do meu harém de macho pra sempre a fim de serem utilizados exclusivamente por mim. Saco.
De resto tô indo tão bem na vida que até o cara que me deu superlike e parecia okay (sem antecedentes criminais ou um porão pra me trancar) me ignorou. Foda-se. O que eu faço? O mesmo que fazemos todas as noites, Pinky, eu bebo.
Mas tenho tido bons dias tirando o governo (LÁGRIMAS), paspalhos no trabalho, a vaca que senta perto de mim no trabalho, os advogados que me irritam no trabalho, o banheiro que tá sempre ocupado no trabalho, resfriado e gases. Tô com uma quantidade de gases nível usina termonuclear aqui hoje, ninguém segura este cu.
A casa está muito arrumada e isso me dá um gosto de viver. Já escrevi que vou perecer nela porque odeio mudança. A não ser que eu ache algo melhore e perto de casa tipo na rua de baixo que tô cansado.
Reli Alice no País das Maravilhas e li O fim da Infância. Amei, apesar de achar triste como esses autores de ficção científica tem essa necessidade de que exista algo maior do que eles. Grow up, men. Mary Shelley tava de boaça quando criou um novo gênero de literatura sem usar qualquer conceito divino.
Reli Alice no País das Maravilhas e li O fim da Infância. Amei, apesar de achar triste como esses autores de ficção científica tem essa necessidade de que exista algo maior do que eles. Grow up, men. Mary Shelley tava de boaça quando criou um novo gênero de literatura sem usar qualquer conceito divino.
Gastei que nem uma filha da puta ontem na feira do livro da USP em vinte e quatro fucking livros cujas capas plásticas estão me esperando para serem arrancadas com meus dentes. Comprar coisas é uma atividade que me dá orgasmos. Quando eu gasto o mundo fica mais bonito.
Amanhã tenho um date com um moço promissor (se esse filha da puta cancelar vou ficar putaço porque comprei dois ingressos pra exposição do Batman no Memorial da América Latina por engano).
![]() |
| Pão solar |
Quero assar pão de zaatar e bolo indiano estes dias. Estes dias eu queria ficar andando por aí a esmo. Acho que eu presto muita atenção a tudo e gosto muito de quase tudo nessa vida. Nunca soube ser inerte.
Como sempre uma matéria da Eliane Brum me deixou altamente inspirado a desbancar a burguesia e o Estado e o Sakamoto segue fofíssimo.
Vou ver se lembro de algo realmente relevante para escrever aqui. Até lá!






Comentários
Postar um comentário