Acordar

 
Eu não estaria assim se fosse em outra época. Eu não estou muito forte agora. Sinto tanto cansaço e dores. Eu vou ficar bem, mas não hoje. Talvez mais tarde. Provavelmente mais tarde. Bukowski viveu até os 73 anos de idade, isso é certamente animador.
O pior da minha ressaca passou. Química e emocionalmente. Eu sou um garoto químico. Sou Branca de Pó e os sete mendigos. E é realmente impressionante a quantidade de substâncias que sou capaz de utilizar num curto período de tempo. E álcool. Não falo de uma cerveja, falo de quantidades capazes de matar um filhote de elefante ou uma pequena vila. Cristo.
O SP na Rua foi a esbórnia esperada. Este último fim de semana foi a esbórnia inesperada. Ambas bem vindas. Passam como um chute na porta. E a porta não fecha direito, tem frestas por onde passa ar e insetos. E a fechadura emperra.
Eu preciso fazer muitas coisas. Isso inclui uma severa manutenção do meu corpinho e depois ter um colapso nervoso em paz no meio das cobertas assistindo Friends.
Achei que ia morrer em casa hoje antes de sair pro serviço. Mas vivi. Sou fera ferida no corpo e na alma e no coração.
Vim pra esse lugar cada vez mais fútil cheia de gente pra qual dou bom dia, mas que eu quero mandar a merda. Mas danem-se, pois rainha que é rainha não dá ouvidos à ralé.
Quero mudar. Várias coisas. Mudar de plano e mudar de rota. Mudar o caminho e até o lado da cama. Mudar os móveis de lugar. Frequentar novos bares. Novos homens. E novas camas. Cozinhar coisas diferentes. Vou fazer bolo de abacate, sorvete de passas ao rum, massa folhada.
E se eu sobreviver melhor do que espero, vou me mimar. Mereço uma pizza e uma fritura, chocolate e mais abraços. Sempre mais abraços.
Deus abençoe o café e meus all stars azuis de cano médio que arrasam corações. E lamento e amo toda a beleza incrível que arrasa o meu coração (feito em pedaços).
Dito tudo, alguém me veja um whisky.

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