Cotidianices

Quero dar um almoço, ou até dois, lá em casa até o fim do ano com toda a pândega. E, conhecendo-os como conheço e eles a mim, não é improvável que me peçam um discurso. Inventei ele andando por aí pensando com meus botões. Eu ando demais. Eis o discurso:

"Senhoras, senhores e o que mais tivermos aqui, é um prazer tê-los. Sabem como amo ver todos juntos uma vez ou outra, faz com que me sinta menos só. Pois é como Estranged do Guns, viemos ao mundo sozinhos e assim sairemos. Sinto paz por vê-los aqui, pois são tempos cruéis. E em épocas cruéis eu quero que vocês se apeguem nas pequenas coisas. Nas cotidianices como disse Eliane Brum. Apeguem-se uns aos outros. Não se esqueçam que somos seres sociáveis e se sintam felizes por precisarem uns dos outros. Pessoas que precisam de pessoas são as pessoas mais sortudas do mundo. Esta é de Funny Girl. Mas não só em nós, apoiem-se em tudo. No café bem passado pela manhã e seu odor que enche a casa. No pão e no bolo assados. No chocolate que comemos no trabalho, escondidos ou não. Na cerveja nossa de cada dia. No pôr do Sol. Nos ipês floridos e crianças brincando. Em palavras doces e incentivos gentis. Quando as coisas estiverem difíceis e especialmente cruéis pensem nisso. Porque, eu acho, aliás eu tenho certeza, todas essas coisas que parecem comuns, ordinárias e nada extraordinárias, estão aí por uma razão: elas estão aí para salvar nossas vidas.
Ainda temos comida e café. Muito obrigado por existirem e por estarem aqui neste terraço."

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