Demais
Dizem que bebo demais. E que falo alto demais. E que conto anedotas demais. É oficial, eu virei a Maysa. Todo meme sobre quem bebe demais bate comigo. Chego a passar cinco noites por semana no bar e não lembro de muito delas.
![]() |
| Meus pezinhos tamanho 42 |
Mas ainda sei me virar. Vou entrar de férias semana que vem e tenho um livro novo para anotações onde coloco tudo que vou fazer. Se farei de fato não sei, mas gosto de organizar o futuro. Presente sem expectativa não tem tanta graça e eu sei que ansioso sempre sou, o que não significa que não aproveite o aqui e agora.
Tô escutando Chico (Bye, Bye, Brasil agora) sem parar essa semana porque sempre ouço e tô todo alegre que ele ganhou aquele prêmio lá. Chupem, coxinhas. Chupem, bolsominions (bolsopatas, bolsocrentes).
Desiludi do trabalho. Desiludi de tentar fazer diferença nesse sistema público enroscado maldito travado entupido por homens brancos, velhos, ambiciosos, arrogantes, mesquinhos que não sabem mexer em computadores ou celulares e não dão lugar pra quem precisa mais e trabalha melhor. Cansei desse bando hipócrita que banca o honesto e coloca a funcionária na mesma sala pra olhar pra bunda dela. Punheteiros broxas. Cansei desses omis velhos que tem uma aposentadoria de quinze mil e que ainda não larga o osso pra ter outro salário de quinze mil. Cristo, quanta ganância.
![]() |
| Alguma coisa acontece no meu coração |
Quero abrir uma padaria, uma confeitaria no centro e tornar o mundo um lugar melhor com o que faço melhor, com amor, gosto, carinho e alegria: comida. As pessoas sorriem e ficam melhores quando comem o que faço. E eu também. Até lá estou aqui, organizo almoços, levo bolos e pães pra quem amo. E no trabalho continuo sendo ótimo, pois não serei mais um desses hipócritas estacionados. Não perco minha integridade. Não ganho coisa alguma em me importar tanto e eu continuo sendo eu mesmo e sei quem sou. Isso é mais forte do que todo o resto.
(agora escuto Cala a boca, Bárbara)
A manifestação pró bozo foi algo um tanto quanto enojante quanto bizarro e reflexo de um tempo. Não digo que foi assustador, pois não foi gigante como a do dia 15 que sei que foi esplêndida apesar de eu não ter ido (estarei na de amanhã). Foi reflexo desse (anti)presidente que se impõe contra uma política mais sólida do que pedra e que se impõe contra si própria. É algo sem precedentes e é disso que devemos ter medo. E não devemos nos esconder por medo, mas sair pra rua antes de chegar no desespero. O desespero também move as pessoas, mas não vamos esperar por isso. Vejo todos no celular e isso me deprime, já disse antes. Quero que parem de falar nas redes, que vão pras ruas todos juntos. Na rua a voz é mais alta. Lata, mas morda, pelamor, não espere o final. A esquerda paralisada me irrita, me enerva, me dá coceira. Essa esquerda que só reage e não age. Temos que fazer o que Erica Malunguinho, fundadora do Aparelha Luzia ali no Bixiga e deputada estadual pelo PSOL aqui em São Paulo, disse para fazermos, temos que ser propositivos. Não devemos só reagir, gritar contra. Leio agora Polyanna Moça e há uma moça que fala pra uma senhora rica que gosta de doar somas de dinheiro a instituições que ela deveria se mover de fato e não terceirizar suas boas ações. Fazemos muito isso: terceirizar o que queremos. Compramos produtos não testados em animais para salvar os animais, mas não vemos leis contra testes. Doamos para instituições carentes e não pensamos em toda a problemática dos mais pobres, dos miseráveis, dos mendigos, preferimos virar o rosto e fingir ter uma consciência limpa.Há pessoas que falam mal da prefeitura por causa dos limites de velocidade e, ao mesmo tempo que diz ser contra o aborto e pró vida, não se importa com as vidas que uma redução de velocidade poupa ou com as que um aumento leva. Não digo para pegarmos nossas foices e martelos e quebramos o prédio do FIESP na Paulista (mas poderíamos furar aquele sapo patético), mas quero mais ação de cada um.
Devemos gritar algo diferente, um projeto próprio de reforma, outros projetos. Devemos lutar por algo e não só contra algo. Assim só seguimos entoamos esse ritmo de guerra que Bolsonaro tem desde ainda antes de ser candidato. Estratégia que ele não abandonou mesmo após ganhar a eleição. Estratégia de berros que nos desconcentram e nos desestabilizam. Só quero sangue frio e proposições próprias. E esperança. Sempre precisamos de esperança. afinal dela viemos.
Li dois livros da Chimamanda Ngozi Adichie, uma autora nigeriana. Todos deveriam ler livros dela e de outras mulheres negras, sejam africanas, brasileiras ou americanas. Deveriam receitar seus contos na escola e fazer as pessoas pensarem. Fazer pessoas melhores. Eu sigo tentando melhorar e Chimamanda me ajudou a enxergar muita coisa, receito a todos.
Mas voltando a Chico.
(tocou Massarandupió, uma das mais linda do último álbum, o Caravanas)
![]() |
| Pizza de cogumelos (eu que fiz) |
Minha mãe conta que quando eu era pequeno e ela cantava Retrato em Branco e Preto eu chorava e pedia por outra música. Cresci e comecei a amar Retrato em Branco e Preto quando assisti Como Esquecer, um filme com a Ana Paula Arósio (que descobri agorinha que cria cavalos em sua fazenda e pensei "que louca é essa vida") que é baseado em um livro chamado Como Esquecer – Anotações quase Inglesas, de Myriam Campello (vou colocar na lista pra ler). Acho que eu precisava ter passado por mais dor para amar essa música. O mesmo serve para Atrás da Porta.
Voltando a Maysa.
![]() |
| Minha mãe comigo tantos anos atrás (olha o rádio velho com vitrola lá atrás) |
Lembro do LP dela no andar de cima do armário do quarto de minha mãe. Nas minhas férias vou visita-la e dar aquela garibada em tudo que é velho na casa. Estamos enrolando pra fazer isso há anos. Vou arranjar uma vitrola ou um rádio que toque LPs, vai ficar perfeito na minha sala com móveis antigos (tenho um bar agora e posso dar asas ao meu alcoolismo. Ainda mais Maysa).
Quero arranjar um notebook e sair escrevendo minhas histórias por cafés como algum escritor estrangeiro faria. Mas vou escrever mais no bar tomando uma cachaça que é assim que um escritor brasileiro faria.
Vou bater perna por São Paulo inteira, já tenho roteiros, restaurantes e destinos fixos no mapa da memória.
![]() |
| Expo da Letizia no IMS |
Aliás, o IMS está com duas exposições de fotografia maravilhosas agora: Sérgio Larrain e Letizia Bataglia. Sérgio documentou crianças de rua e Letizia a guerrilha na Sicília, as fotos mais marcantes feitas por ambos na minha opinião.
Vou pra praia um ou dois dias, sei que só isso já me basta.
![]() |
| Manjericão roxo |
Sigo assim, muito bem, comigo vai tudo azul. Minhas plantas estão maravilhosas, sou um ótimo jardineiro. Meu ex jamais diria isso quatro anos atrás (foi dele que herdei muitas plantas e uns poucos hábitos. Não consigo passar por um homem sem pegar nada pra mim: uma música, um casaco, um cheiro, um hábito).
![]() |
| Mini rosa amarela |
Amo minhas ansiedades e agora as acho muito saudáveis.
Quero adotar mais um gato. Já sei onde e com quem ele esta, resta os meus gostarem dele. O nome que vou dar, não que ele se importe, também já sei e não poderia ter escolhido melhor.
Ilustrei o post com fotos do meu jardim e da minha São Paulo. Este blog bobo é pra ser pessoal e assim o faço sem medo de ser bobo e de rir até do pior como Polyanna faria, mesmo em tempos cruéis.









Comentários
Postar um comentário