#ELENÃO

Euzinho no protesto do dia 20 de outubro na frente da Sé enquanto descansava de segurar a faixa de "mulheres contra Bolsonaro"
Hoje saí com o chapéu que comprei de uma senhora com cabelo rosa há alguns anos em Itanhaém. Não sei em quem ela votou, mas nos demos muito bem naquele dia e eu uso o que traz boas memórias. Em tempos brutais nós resistimos nas pequenas coisas, nos nossas símbolos. Porque esse chapéu para mim é um símbolo. O livro que leio, A Vida Secreta das Abelhas que tem a capa amarela como minha casa e é cheio de força, é um símbolo. Os botons na minha mochila são símbolos e os adesivos de #elenão em minha casa são símbolos. Quando eu saio com algo que minha mãe ou algum amigo muito querido me deu eu não saio só, eu saio com todo o amor deles que tanto me protege.
Também do dia 20
E também resisto porque não caio fácil, se caio levanto e se precisar os outros me levantam. Fui a cada protesto e sei que não estamos sozinhos, é isso uma das melhores sensações no ativismo, em protestar, em lutar pelo que é certo: saber que você não esta sozinho. Podemos ser um ou dois agora, mas os outros vão aparecer, vão nos achar e serão achados.
Outra sensação é que você sabe por que esta ali, você esta porque luta pelo que é certo e essa certeza é imbatível mesmo quando você esta sozinho numa rua cheia de bolsominions.
Grande ato do dia 29 de setembro no Largo do Batata. Muitas senhorinhas! <3
Ontem após sabermos que o bozo venceu e enquanto pessoas comemoravam a morte da democracia com aplausos e rojões na casa de minha miga em São Caetano do Sul, uma das cidade com grande maioria do coiso, falamos sobre como a bandeira e camiseta do Brasil se tornaram símbolos de fascismo, de medo de ser espancado porque você é LGBT, negro, porque esta com adesivo do Haddad, nosso candidato.
Concentração do ato do dia 20 de outubro no Vão do MASP
Foi uma briga entre um projeto democrático que segue as regras e faz campanha nas ruas com samba e alegria e um de extrema direita que ameaça a democracia e não a respeita. O que foi mais triste nessa campanha, principalmente nas três semanas do segundo turno, foi ter que explicar o que deveria ser óbvio. Explicar que não se deve votar em um homem que idolatra a ditadura, em especial Ustra, o torturador que enfiava ratos em suas vítimas. Explicar que não se deve votar em um candidato que quer vender a Amazônia. Explicar que é errado votar em um candidato que quer classificar gente sem moradia como terrorista e que acha que índios, negros e LGBT são coitados.
Dia 20 na Paulista seguindo pra descer a Brigadeiro até a Sé
Foi cansativo e foi difícil, mas eu falei todos os meus argumentos cada dia pra quem quisesse escutar, eu mal descansei e não parei.
E vi tudo que sempre vi na nossa esquerda tão linda. Vi cores, muita música, vi gente alegre cheia de força, com olhos brilhando de esperança. Vi gente com cartazes e café e bolo para conversar. Vi gente na rua lutando pelo que é certo com todas as boas razões ao invés de enviar fake News pelo whatsapp. Eu vi o que sempre vi na esquerda e nunca na direita: eu vi AMOR.
Dia vinte pouco antes de sairmos andando
Nosso ativismo é encher o mundo de amor e esperança, é o que fazemos independentemente se gostamos mais de Trotsky, Lenin ou Lula. Estamos aqui e sempre estaremos, estamos em todo lugar. Estamos em mim distribuindo adesivos e falando muito alto na Augusta, em panfleteiros nas esquinas do centro conversando, em Erundina, Malunguinho e Gleisi e na moça que encontrei no busão e me deu um negocinho vermelho escrito ELE NÃO. Nunca estamos sozinhos e nunca perdemos a esperança. Ficamos triste, em clima de luto como hoje, mas não desistimos porque a luta continua. É uma luta eterna, nunca vai parar. A direita levanta e cai e nós também.
ato na sexta, dia 26 de outubro, na Sé
Fiquei triste por uma amiga que não votou treze. Por ela ser uma jornalista que não votou treze. Por uma pessoa que não leu toda a informação que tinha ao alcance dela e não pensou. Que não se esforçou, que não se importou, que se anulou. Não sei se votou no monstro ou nulo, prefiro não saber. Votar nulo ou branco e se anular é deixar o inimigo mais forte. A opressão precisa mais do silêncio de quem não luta do que dos gritos de quem levanta as armas. Fico triste por alguém que era tão querida não ter votado pela democracia, não ter votado contra o ódio e, principalmente, porque era minha amiga e não votou contra um candidato que prega violência contra LGBTs como eu. Eu sinto apenas tristeza e decepção por ela, todo o orgulho que tinha por ela sumiu.
Mas como falei há muita coisa boa, muita coisa alegre, muita mesmo. Minha mãe nunca votou treze, nunca gostou do PT por diversas razões, mas nessa eleição ela votou treze porque não quer que eu morra. Ela votou treze porque sabe que eu não mereço ódio por ser o que e quem sou. Minha mãe votou treze porque me ama e começo a chorar de orgulho só de pensar nisso. Choro porque tenho uma mãe de verdade que me ama mais do que tudo. Que orgulho!
E é isso. Tá difícil porque o perigo é real, é estupidez negar. Mas a gente não desiste, a gente resiste. Resistimos no amor e no nosso sexo, resistimos na literatura e na música, resistimos em casa com nossas coisas, nossos gatos, cães, resistimos com cerveja no bar no café que fazemos. A gente não é virtual e não fica falando mentira pelas redes, eu tô na rua e tô na rua pra lutar.

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